A HISTÓRIA DE OINC

24/03/2009

 

Tive um amigo em Minas Gerais que, compadecido, salvou um leitãozinho de ser devorado na festa máxima da cristandade. O animalzinho, que recebeu o sugestivo nome de Oinc, foi criado por ele e acabou crescendo e habitando a sua casa. Já adulto, era curiosíssimo ver o meu amigo assobiando para chamar o porco, que dormia normalmente na soleira da porta e perambulava pela casa, como se fosse um cachorro.

Oinc tinha por hábito sentar-se à beira da mesa aguardando que lhe fosse atirado algum pedaço de pão ou comida… Imenso, mas não obeso, brincava com as crianças, aguardava ansiosamente a volta do meu amigo (abanando o seu pequeno rabo de alegria assim que ele chegava) e avisava, com guinchos e agitação, a chegada de alguma pessoa estranha. Era acariciado pelas pessoas e gostava disso, e, como qualquer cão, não aceitava o carinho de estranhos. Quando seu dono chegava do trabalho, Oinc corria desengonçado ao seu encontro.

Infelizmente o destino de Oinc não foi feliz. Meu amigo teve de viajar para o exterior, onde permaneceu por mais de dois anos. Cheio de tristeza e saudades, Oinc não suportou a ausência e desenvolveu uma profunda depressão, morrendo devido a uma baixa imunidade que lhe desencadeou uma infecção generalizada. Quem duvidar que animais têm sentimentos deveria ter visto olhar de Oinc uma semana depois da viagem do meu amigo.

Mas a grande maioria dos porcos não tem a mesma sorte de ter um dono como o de Oinc. Eles também são vistos como mercadorias, não como seres vivos com sentimento. Devido à sua carne considerada saborosa, são criados em larga escala no mundo inteiro, mas em condições tão vis e deploráveis que envergonhariam qualquer pessoa dotada de um mínimo de sensibilidade. Talvez sejam os animais que mais sofrem nas mãos de seus criadores.

Manejo em pequena escala
Aqueles que criam porcos em pequena escala e domesticamente costumam castrar os animais (para que possam engordar bastante), forçando-os a uma vida sedentária, reclusa e totalmente incômoda, alimentando-os com todo o tipo de resto de comida, preparando-os para ser abatidos.

Como são mortos
São mortos através de uma fina, longa e cortante faca que lhes é cravada com perícia, diretamente no coração. Sem se incomodarem se o animal sente dor e em que grau, esses criadores, insensíveis, praticam esse ato friamente, em geral rindo, como se estivessem fazendo algo trivial, como puxar uma descarga, por exemplo. Há aqueles que tem como profissão matar porcos dessa maneira, e assim, todos os dias, realizam seu trabalho. Conheci um deles, uma pessoa no mínimo asquerosa, que me confessou que a sensação que sentia ao introduzir a faca no peito de um porco de 100 quilos era a mesma de matar um homem gordo…

Manejo em grande escala
Nos matadouros, onde os animais são produzidos industrialmente, não é muito diferente. Assim que nascem, os porquinhos machos são castrados sem anestesia, de modo cruento. Depois que mamarem alguns dias, são afastados da mãe e nunca mais a vêem.

Prenhez
As porcas grávidas, nos dias finais da gravidez, são mantidas num tipo de jaula tão pequena que não podem se mover, sendo forçadas a se manter na mesma posição, de pé, sem se voltar para qualquer lado e sem poder deitar-se. E assim têm os seus filhotes, como máquinas de produzir porquinhos.

Qualquer mulher que já teve um filho sabe do incômodo característico dos dias finais que precedem o final da gravidez, que exigem a busca de posições mais confortáveis a cada instante. Durante o próprio parto é necessário mudar de posição várias vezes.

Imaginem então que tremendo desconforto deve ser sentir as dores, as contrações uterinas, sem poder mexer-se ou deitar-se… as porcas grávidas, geralmente muitas ao mesmo tempo, costumam urrar de dor, o que torna o ambiente em que vivem um local onde se capta uma tristeza e uma agonia indescritíveis. Os animais apresentam sempre um olhar apavorado, talvez pela tremenda dor a que são submetidos.

 

Reflexões
Animais não nos dão a vida como contam as historinhas ou como os desenhos animados e a propaganda em folhetos escolares procuram mostrar. Nós tiramos as suas vidas. Eles lutam até o fim para fugir da morte, do mesmo jeito que faríamos se estivéssemos em seu lugar.

O porco, dócil e inteligente, não aceita a morte simplesmente pensando que ela é apenas mais um passo na produção de bacon; portanto, será difícil vê-lo cantando alegremente como nos anúncios dos produtores de salsichas.

As galinhas não sonham em virar caldo na panela, assim como perus não querem ser criados para serem mortos, por mais que a propaganda insidiosa, subliminar tente nos convencer.

A gentil e paciente vaca não se rende docilmente à marreta ou à faca; ela se agita e pula como pode para se livrar do gancho que prende uma de suas pernas, que foi quebrada e pendurada a uma corrente.

Os produtores de leite nos EUA costumam fazer propaganda. Uma delas mostra uma simpática vaca sorrindo, enquanto uma suave voz masculina avisa, em off, que o leite dessa empresa é proveniente de vacas felizes.

Talvez ele esteja se referindo ao efeito dos tranqüilizantes e antidepressivos que esses animais recebem regularmente para combater a tristeza dos ambientes onde são criados.

“Quanto mais eu vejo animais serem mortos para virar comida, mais eu entendo por que o McDonald’s engana as criancinhas, fazendo-as crer que hambúrgueres crescem em árvores, já nos saquinhos”.
John Robbins
http://www.institutoninarosa.org.br/
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